Notícia

Ainda não sabemos como as pessoas estão realmente usando a Inteligência Artificial

Um novo estudo independente, o AI Observatory, revela que o uso da Inteligência Artificial é muito mais diverso e sensível do que o divulgado por empresas como Anthropic e OpenAI, que focam em relatórios de produtividade. A pesquisa expõe u

Publicado em 25 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

Ainda não sabemos como as pessoas estão realmente usando a Inteligência Artificial

Um novo estudo liderado pela Universidade de Stanford, em colaboração com o MIT e outras instituições, está lançando luz sobre como as pessoas realmente utilizam a inteligência artificial generativa, contestando as narrativas frequentemente apresentadas pelas grandes empresas do setor. Pesquisadores de IA apontam que relatórios de companhias como Anthropic e OpenAI tendem a focar em usos específicos, geralmente relacionados à produtividade, o que pode mascarar uma gama mais ampla e por vezes delicada de interações.

Revelando o Uso Não-Comercial da IA

O projeto, batizado de AI Observatory (Observatório de Inteligência Artificial), foi desenvolvido para ser uma fonte independente de dados. Coordenado por Anka Reuel, doutoranda em Ciência da Computação em Stanford, o observatório agregou e analisou 24.521 conversas reais com modelos populares como Claude, Gemini e ChatGPT, coletadas com consentimento de cerca de 5 mil usuários entre 2023 e 2025. Essa iniciativa visa fornecer informações cruciais para pesquisadores e formuladores de políticas públicas que hoje tomam decisões importantes baseadas em dados limitados.

Uma das descobertas mais significativas é que os relatórios das empresas podem subestimar o volume de usos pessoais e sensíveis da IA. Ao aplicar os métodos da Anthropic, por exemplo, os pesquisadores do AI Observatory descobriram que quase metade (48%) das conversas analisadas seria filtrada. Essas interações não relacionadas ao trabalho apresentavam temas como saúde e relacionamentos (44,2%), conteúdo adulto ou ilícito (7,9%), assédio e ódio (27,5%), e conteúdo sexual (6,7%). Esses números são consideravelmente superiores aos 31,2%, 2,1%, 5,66% e 2,4% respectivamente, reportados pela própria Anthropic em sua análise focada na produtividade.

A Nuance Entre Modelos e Versões

O estudo também revelou variações substanciais no uso de diferentes modelos de IA e até mesmo entre suas versões. Enquanto o Grok e o Gemini eram frequentemente usados para buscar informações, com o Grok se destacando em notícias e política (e, por vezes, na disseminação de desinformação), o Claude da Anthropic era mais procurado para programação. Já o Gemini se mostrava popular para usos sociais e de interpretação de papéis, e o ChatGPT para tarefas escolares.

  • Grok e Gemini: Busca de informações, com o Grok sendo popular para notícias/política e suscetível à desinformação.
  • Claude: Predominantemente usado para programação.
  • Gemini: Forte em usos sociais e interpretação de papéis.
  • ChatGPT: Frequentemente utilizado para auxiliar em tarefas escolares.

Adicionalmente, houve uma clara distinção entre as versões de um mesmo modelo, como o ChatGPT. Usuários tendiam a ter conversas mais curtas com o GPT-3.5 e interações mais longas e iterativas com o GPT-4o, que se tornou conhecido por sua capacidade de gerar dependência emocional. Shayne Longpre, do MIT Media Lab e colíder da pesquisa, enfatiza que nenhum relatório isolado de uma empresa consegue abranger a complexidade total desses usos.

Implicações e Próximos Passos

Embora o AI Observatory utilize um conjunto de dados menor em comparação com as milhões de conversas analisadas pelas grandes empresas de IA, ele representa um passo crucial para a pesquisa independente. O projeto amplia o acesso da comunidade científica a dados de uso que, de outra forma, ficariam restritos às corporações. Anka Reuel ressalta a importância de ter fontes independentes para evitar que decisões sobre os impactos da IA sejam tomadas “completamente às cegas”, baseando-se apenas em narrativas corporativas que podem não refletir a realidade completa. O AI Observatory planeja expandir seus conjuntos de dados e manter as informações acessíveis para pesquisadores.

Com informações de MIT Tech.

Onde comprar

Conteúdo com links afiliados
Tablet Easytech E1035 10.1 8gb/128gb Android 13 Cor Preto-38%
Mercado Livre

Tablet Easytech E1035 10.1 8gb/128gb Android 13 Cor Preto

R$ 615,85R$ 999,90
Ver oferta
Impressora multifuncional cor Epson EcoTank L3250-21%
Mercado Livre

Impressora multifuncional cor Epson EcoTank L3250

R$ 1.074,00R$ 1.356,70
Ver oferta

Perguntas frequentes

O que é o AI Observatory e qual seu objetivo?

É um projeto de pesquisa liderado pela Universidade de Stanford que busca fornecer dados independentes sobre como as pessoas realmente usam a inteligência artificial, agregando conversas reais de diversos modelos de IA com consentimento dos usuários.

Quais são as principais diferenças entre os dados do AI Observatory e os relatórios das empresas de IA?

O AI Observatory mostra que uma parcela significativamente maior das interações com IA envolve temas sensíveis, como saúde, relacionamentos e até conteúdo ilícito, ao contrário dos relatórios corporativos que tendem a focar em usos relacionados ao trabalho e produtividade.

Como os diferentes modelos de IA são utilizados, segundo o estudo?

O estudo aponta que Grok e Gemini são mais usados para busca de informações, Claude para programação, Gemini para usos sociais e ChatGPT para tarefas escolares, com variações até mesmo entre versões de um mesmo modelo.

Com informações de MIT Tech.

Este conteúdo pode conter links afiliados. Ao comprar por eles, o TechHoje pode receber comissão sem custo adicional para você.