Clonagem poderia salvar espécies ou criar ‘reserva’ de órgãos humanos
Novos avanços na clonagem, como a transformação de camundongos machos em fêmeas por CRISPR, abrem portas para a conservação de espécies. Contudo, a tecnologia também levanta dilemas éticos, especialmente em usos não essenciais e na clonagem
Publicado em 25 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

A clonagem, uma área da biotecnologia que já rendeu manchetes icônicas como a da ovelha Dolly, continua a evoluir, desdobrando-se em possibilidades que oscilam entre a conservação de espécies ameaçadas e dilemas éticos profundos. Recentemente, cientistas japoneses alcançaram um feito notável ao utilizar a tecnologia CRISPR para transformar embriões de camundongos machos em fêmeas, eliminando o cromossomo Y. Essa abordagem, liderada pelos biólogos reprodutivos Takashi Ishiuchi e Shogo Matoba, demonstra o potencial crescente da edição genética na manipulação da identidade sexual de um organismo, abrindo portas para aplicações diversas.
Avanços e Aplicações na Conservação
O trabalho inovador de Ishiuchi, da Universidade de Yamanashi, e Matoba, do RIKEN BioResource Research Center, visa aplicações significativas na conservação. Ao criar fêmeas a partir de machos, mesmo em espécies onde restam poucos indivíduos, a técnica pode ser crucial para reverter o declínio populacional. Esta linha de pesquisa se soma a esforços já existentes de criopreservação de tecidos animais em locais como o Zoológico de San Diego, que mantém células de mais de 1.300 espécies em seus "zoológicos congelados". Tais amostras possibilitaram a clonagem de animais em risco, como furões-de-patas-negras e cavalos-de-Przewalski.
Embora a clonagem para conservação seja promissora, ela não é isenta de desafios. Em 2009, pesquisadores espanhóis tentaram clonar o íbex-dos-pirenéus, uma cabra-selvagem extinta, usando células criopreservadas. Dos 439 embriões criados com óvulos de cabras domésticas, apenas um animal nasceu vivo, mas morreu minutos depois devido a uma malformação pulmonar. Empresas como a Colossal Biosciences buscam ir além, propondo o uso de material genético ancestral para "desextinguir" espécies como o tilacino e o mamute-lanoso, principalmente através da modificação genética de espécies existentes.
Dilemas Éticos e Futuro da Clonagem
A clonagem se estende para além da conservação, adentrando terrenos controversos, como a replicação de animais de estimação, prática que custa dezenas de milhares de dólares e levanta questionamentos éticos sobre o uso de óvulos e mães de aluguel. A bioeticista Jessica Pierce critica essa prática, denominando-a "exploração da subclasse canina", dada a ausência de justificativa médica ou ambiental.
No campo humano, a clonagem permanece uma área de intensa discussão. Embora não haja registros de clonagem humana bem-sucedida, a possibilidade técnica existe. Ideias como a criação de "clones sem cérebro" para servirem como reservatórios de órgãos são levantadas por alguns, gerando desconforto e importantes debates éticos sobre os limites da ciência e da tecnologia.
Com informações de MIT Tech.
Onde comprar
Conteúdo com links afiliados
-38%
-21%Perguntas frequentes
Como a tecnologia CRISPR está sendo usada na clonagem?
Cientistas usaram CRISPR para editar o DNA de embriões de camundongos machos, removendo o cromossomo Y e permitindo a criação de fêmeas geneticamente idênticas aos machos, com o objetivo de auxiliar na conservação de espécies.
Quais são os principais usos da clonagem atualmente?
A clonagem é utilizada principalmente em esforços de conservação para multiplicar indivíduos de espécies ameaçadas e, de forma mais controversa, na clonagem de animais de estimação por razões afetivas.
É possível clonar seres humanos e quais são as implicações éticas?
Tecnicamente, a clonagem humana é considerada possível, mas não há registros de sua realização. A ideia levanta sérios dilemas éticos, como a criação de "clones sem cérebro" para fins de transplante de órgãos, gerando intensos debates morais e sociais.
Com informações de MIT Tech.
Este conteúdo pode conter links afiliados. Ao comprar por eles, o TechHoje pode receber comissão sem custo adicional para você.