Uma nova era no combate à fibrose pulmonar
A fibrose pulmonar, uma doença grave e ainda sem cura, está vivenciando uma nova era de avanços com a aprovação de novos antifibróticos e o uso da inteligência artificial para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. Essas inovações
Publicado em 31 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

Após mais de uma década de estagnação terapêutica, o combate à fibrose pulmonar entra em uma nova fase, marcada pela aprovação de medicamentos inovadores e o uso pioneiro da inteligência artificial no desenvolvimento de novas terapias. As perspectivas são encorajadoras para pacientes que enfrentam essa doença grave, que, em suas formas mais severas, pode ter um prognóstico pior do que certos tipos de câncer.
Em julho deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o nerandomilaste, um novo antifibrótico destinado a pacientes com fibrose pulmonar idiopática (FPI) e fibrose pulmonar progressiva (FPP). Estudos de fase 3, publicados em 2025 no The New England Journal of Medicine, demonstraram que o medicamento é eficaz tanto na redução da perda de função pulmonar quanto na diminuição do risco de mortalidade. Além disso, destacou-se pela melhor tolerância por parte dos voluntários, em comparação com outros antifibróticos já existentes no mercado. A fibrose pulmonar abrange um conjunto de doenças intersticiais onde cicatrizes anormais nos pulmões dificultam a oxigenação do sangue, manifestando-se com tosse seca, falta de ar progressiva e fadiga.
IA impulsiona a descoberta de novos tratamentos
Outra grande promessa é o rentosertibe, um antifibrótico que teve seus resultados de fase 2 publicados na revista Nature Medicine no ano passado, indicando melhora na função pulmonar de pacientes com FPI. O fabricante já anunciou o início da fase 3 dos estudos para confirmar esses benefícios em uma população maior. A inovação mais notável desse medicamento é que seu desenvolvimento contou com o apoio de inteligência artificial (IA) generativa, que auxiliou desde a identificação do alvo terapêutico até o design da molécula.
A IA foi crucial para analisar vastos volumes de dados biológicos, identificando a enzima TNIK como um regulador central da inflamação e da formação de cicatrizes nos pulmões. Posteriormente, a mesma tecnologia foi empregada para criar uma molécula capaz de inibir a atividade dessa enzima. Segundo Alex Zhavoronkov, CEO da Insilico Medicine e coautor do estudo, essa abordagem reduziu o tempo de seleção do alvo e indicação de um candidato pré-clínico de 4,5 anos para apenas 18 meses, com uma síntese significativamente menor de compostos. A inteligência artificial não apenas acelera o processo, mas também eleva a qualidade dos candidatos a medicamentos, aumentando as chances de encontrar terapias mais eficazes.
Diagnóstico e desafios no Brasil
A fibrose pulmonar é classificada como uma doença rara, afetando entre 7 e 9 pessoas a cada 100 mil habitantes no Brasil, com uma incidência de 3 a 5 novos casos anuais para cada 100 mil. Apesar de sua baixa prevalência, a gravidade da FPI, com uma expectativa de vida de 3 a 5 anos após o diagnóstico sem tratamento, ressalta a urgência de avanços. Médicos como Alexandre Kawassaki, do Hospital Israelita Albert Einstein, e Eliane Mancuzo, da SBPT, enfatizam que os novos tratamentos têm melhorado a sobrevida dos pacientes desde 2014, quando os primeiros antifibróticos surgiram.
No entanto, o diagnóstico tardio ainda é um grande desafio. Os sintomas inespecíficos muitas vezes levam a equívocos, com pacientes sendo tratados para outras condições, o que pode atrasar o início da terapia correta. Débora Lima, da Abraf, alerta para a subnotificação da doença no Brasil, sugerindo que uma investigação mais cuidadosa em pacientes tabagistas, com mais de 50 anos, histórico familiar ou doenças reumatológicas, além da presença de “baqueteamento digital” e “crepitações” pulmonares, pode otimizar a detecção precoce e melhorar significativamente o prognóstico.
Com informações de MIT Tech.
Perguntas frequentes
O que é fibrose pulmonar e quais são seus sintomas?
A fibrose pulmonar é um conjunto de doenças que causam cicatrizes anormais nos pulmões, dificultando a passagem de oxigênio para o sangue. Os sintomas incluem tosse seca, falta de ar progressiva e cansaço.
Como a inteligência artificial (IA) está ajudando no combate à fibrose pulmonar?
A IA está sendo utilizada para acelerar a descoberta de novos medicamentos, identificando alvos terapêuticos e projetando moléculas inovadoras, como no caso do rentosertibe, que promete melhorar a função pulmonar.
Por que o diagnóstico precoce da fibrose pulmonar é tão importante?
O diagnóstico precoce é crucial porque os sintomas são inespecíficos e a doença pode ser confundida com outras condições, atrasando o tratamento adequado e impactando negativamente a expectativa de vida do paciente.
Com informações de MIT Tech.
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