Série Eleições: você sabe quais fontes sua IA consulta?
Novas pesquisas revelam que ferramentas de IA, como ChatGPT e Gemini, ainda dependem pouco de fontes oficiais em respostas sobre eleições, priorizando conteúdos informacionais amplos e gerando preocupações com a integridade da informação e
Publicado em 20 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

À medida que a Inteligência Artificial (IA) se consolida como uma nova fonte de informação, substituindo enciclopédias e até buscadores tradicionais para muitos usuários, surgem preocupações significativas, especialmente no contexto eleitoral. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Grok são cada vez mais consultadas para tirar dúvidas sobre eleições, mas a integridade e a qualidade das respostas geradas por esses sistemas estão sob escrutínio. O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) lançou a pesquisa “Boca de IA” para analisar a atuação dessas plataformas no cenário eleitoral brasileiro, destacando a necessidade urgente de fontes confiáveis.
Um dos achados mais críticos da pesquisa do ITS Rio é a baixa priorização de fontes institucionais. Apenas 39% das respostas geradas pelas IAs remetem a órgãos oficiais como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou partidos políticos. Em contraste, 95% das informações vêm de fontes informacionais mais amplas, que incluem reportagens de veículos de imprensa, pesquisas eleitorais, conteúdos enciclopédicos e publicações em redes sociais. Chatbots como ChatGPT, Grok, Perplexity e Claude apresentaram esse tipo de fonte em 100% das análises. Segundo Gabriella da Costa, pesquisadora sênior do ITS Rio, o uso de fontes oficiais é fundamental para garantir equilíbrio e relevância democrática nas informações eleitorais, sugerindo que muitos sites de órgãos públicos ou partidos podem não estar otimizados para a coleta de dados por IA.
Desafios na Integridade e Transparência
Apesar de uma resolução do TSE proibir a priorização ou ranqueamento de candidatos por sistemas de IA, a pesquisa do ITS Rio revelou que 90% das respostas analisadas ainda ranqueavam candidatos, demonstrando um desafio na conformidade. Além disso, foram identificados casos de “alucinação” – quando a IA gera informações incorretas ou inventadas – em 16% das respostas, com o Gemini liderando essa métrica com 50% de ocorrência, frequentemente atribuindo partidos de forma errônea. Embora tenha havido uma melhora no uso de fontes oficiais, que saltou de 12% para 39% entre a primeira e a quarta rodada da pesquisa, a falta de atualização e a contextualização de informações, como o uso de fontes em língua estrangeira pelo DeepSeek, continuam sendo problemas.
A transparência sobre as fontes utilizadas também é uma questão recorrente. Muitas plataformas não citam claramente de onde vêm as informações, dificultando a verificação por parte do usuário. A pesquisa “AI Visibility Index 2026” da Semrush corrobora essa complexidade, mostrando que plataformas como ChatGPT e Gemini dependem fortemente da Wikipedia, Reddit, Facebook e YouTube. Essa dependência de fontes amplamente acessíveis, mas nem sempre verificadas ou oficiais, como plataformas de apostas preditivas (Polymarket) e publicações de redes sociais, pode ampliar o repertório informacional, mas levanta sérias dúvidas sobre a fidedignidade dos dados.
O Impacto no Cenário Digital e Eleitoral
A ascensão das IAs para consultas sobre eleições cria um novo campo para estratégias de marketing digital, similar ao que aconteceu com o SEO para buscadores e o engajamento em redes sociais. Conteúdos otimizados para serem "raspados" pelas IAs podem influenciar as respostas geradas, modulando a percepção pública sobre candidatos e pautas. Esse cenário ressalta a urgência de as plataformas de IA se conectarem a fontes atualizadas e oficiais, como o TSE, para fornecer informações precisas, especialmente em um período tão sensível como o eleitoral. A ausência de clareza sobre o ritmo de atualização das informações pelas IAs deixa o usuário sem a percepção se os dados são ou não os mais recentes e confiáveis.
Com informações de MIT Tech.
Perguntas frequentes
Quais são as principais preocupações sobre o uso de IA nas eleições?
As principais preocupações envolvem a integridade e a qualidade das informações fornecidas pelas IAs, a baixa priorização de fontes oficiais e a ocorrência de "alucinações" (informações incorretas ou inventadas) que podem influenciar o eleitor.
As IAs consultam fontes oficiais como o TSE para informações eleitorais?
A pesquisa do ITS Rio mostra que apenas 39% das respostas das IAs direcionam para fontes institucionais como o TSE, indicando uma baixa dependência desses dados oficiais em comparação com fontes informacionais mais amplas.
As plataformas de IA cumprem as regras eleitorais sobre candidatos?
Apesar de uma resolução do TSE proibir o ranqueamento de candidatos, a pesquisa "Boca de IA" identificou que 90% das respostas analisadas por IAs ainda ranqueavam candidatos, demonstrando um desafio de conformidade.
Com informações de MIT Tech.
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