Big tech de segurança endurece regras em resposta à reação contra vigilância
A Flock Safety, gigante de tecnologia policial, endurece suas regras para acesso à rede de leitores de placas após críticas sobre vigilância e abusos. A empresa agora exige número de processo criminal para buscas e expande sistema de audito
Publicado em 20 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

A Flock Safety, gigante de tecnologia policial, anunciou um endurecimento das regras para acesso à sua vasta rede nacional de leitores de placas veiculares. A medida surge como resposta a uma crescente onda de críticas e cancelamentos de contratos nos Estados Unidos, motivada por preocupações com vigilância em massa e o uso indevido da tecnologia por agentes de segurança.
A empresa, que opera uma rede de 120 mil câmeras, se tornou alvo após incidentes em que policiais teriam utilizado o sistema para fins não autorizados, como perseguição pessoal. Uma investigação do jornal Washington Post revelou 46 casos documentados de agentes acusados de abusar da tecnologia para assediar ex-parceiros ou perseguir indivíduos sem justificativa criminal.
Novas Regras e os Desafios da Fiscalização
Para coibir esses abusos, a Flock Safety agora exige que os agentes insiram um número de processo criminal válido antes de realizar qualquer busca na base de dados. Essa funcionalidade, antes opcional, tornou-se obrigatória para garantir que cada pesquisa tenha uma finalidade legítima. Contudo, essa salvaguarda básica, há muito pleiteada por grupos de defesa das liberdades civis, já enfrenta ceticismo. A American Civil Liberties Union (ACLU) observou que, no passado, agentes contornaram requisitos semelhantes usando termos genéricos como “investigação” ou até mesmo zombaram da solicitação, digitando "hehehe" repetidamente.
Em uma tentativa de fiscalizar essas práticas, a Flock está expandindo a obrigatoriedade de um sistema automático de auditoria. Essa ferramenta visa identificar atividades de busca suspeitas por parte dos agentes, sinalizando-as aos administradores. No entanto, a empresa não divulgou detalhes sobre a precisão do algoritmo nem o submeteu a avaliações independentes, levantando questões sobre sua eficácia real em detectar e impedir fraudes.
Reação Pública e o Futuro da Vigilância
Além de combater o uso indevido individual, a Flock Safety está fazendo alterações para abordar as críticas sobre a escala da coleta de dados. A empresa agora recomenda que as agências de segurança retenham os dados por apenas sete dias, em vez dos 30 anteriores, embora a opção de ignorar essa recomendação ainda exista. Departamentos também poderão limitar buscas de outras agências aos seus dados, restringindo-as a categorias específicas, como sequestro, e excluindo, por exemplo, investigações de imigração. Essas mudanças, porém, ainda dependem da precisão com que os agentes relatam o motivo de suas buscas.
A pressão sobre a Flock é significativa. Analistas políticos e ativistas criticam a tecnologia por contribuir para um “Estado de vigilância”. Cidades nos EUA cancelaram contratos, com a National Public Radio (NPR) reportando pelo menos 30 rescisões no ano anterior, enquanto grupos ativistas estimam um número maior. Estados e municípios consideram proibir completamente os leitores de placas, e algumas agências estão migrando para concorrentes como Axon e Motorola. Embora a Flock minimize os cancelamentos como uma pequena parcela de suas 5 mil agências clientes, Chad Marlow, da ACLU, argumenta que a reação é impulsionada pela “enorme escala de vigilância” que a tecnologia permite, questionando se a captura de criminosos justifica a destruição da privacidade dos americanos.
Com informações de MIT Tech.
Perguntas frequentes
Por que a Flock Safety está mudando suas regras de acesso?
A Flock Safety está endurecendo as regras em resposta a uma crescente reação pública e cancelamentos de contratos, impulsionados por preocupações com vigilância em massa e casos de uso indevido da tecnologia por policiais.
Quais são as principais novas regras implementadas pela Flock Safety?
As principais mudanças incluem a obrigatoriedade de inserir um número de processo criminal antes de realizar buscas e a expansão de um sistema automático de auditoria para identificar atividades suspeitas por parte dos agentes.
Essas novas regras são suficientes para resolver as preocupações com a privacidade?
Grupos de direitos civis como a ACLU apoiam as medidas, mas expressam ceticismo sobre sua eficácia total, especialmente porque a empresa não disponibilizou a ferramenta de auditoria para avaliação independente e agentes já contornaram salvaguardas semelhantes no passado.
Com informações de MIT Tech.
Este conteúdo pode conter links afiliados. Ao comprar por eles, o TechHoje pode receber comissão sem custo adicional para você.