“Vírus no carro”: malware infecta central multimídia sem motorista perceber
Pesquisadores da Kaspersky identificaram um malware sofisticado que infectava centrais multimídia de carros com Android, explorando seus próprios sistemas de atualização. O ataque, que transformava os dispositivos em ferramentas para fraude
Publicado em 18 de set. de 2026 · Fonte: Canaltech

Pesquisadores da Kaspersky revelaram uma sofisticada campanha de malware que visava diretamente centrais multimídia automotivas baseadas em Android. O ataque, que explorava o próprio sistema de atualização dos aparelhos, permitia a instalação silenciosa de programas maliciosos, transformando os dispositivos em ferramentas para fraudes online. Essa descoberta sublinha a crescente vulnerabilidade dos veículos modernos à cibersegurança, à medida que mais sistemas se conectam à internet.
A investigação técnica, divulgada pela Securelist, detalhou que as centrais afetadas utilizavam software da fabricante chinesa DoFun. A infecção ocorria através do TWCore, um aplicativo legítimo responsável pela coleta de dados técnicos e atualizações. Criminosos abusaram desse canal para injetar o JarService, um software sem interface que operava em segundo plano, possibilitando o download de outros módulos maliciosos para o sistema. Importante ressaltar que o motorista não precisava interagir com links suspeitos ou pendrives infectados; a ameaça chegava através de um mecanismo de atualização que deveria ser seguro.
Como o Malware Agia no Veículo
Uma vez infectada, a central multimídia ficava sob o controle dos criminosos, que podiam executar diversos comandos. A análise da Kaspersky detectou funções para coletar informações técnicas detalhadas, como modelo do aparelho, resolução de tela, rede Wi-Fi conectada e endereço MAC. Além disso, o malware tinha a capacidade de baixar módulos adicionais e realizar fraudes publicitárias, gerando receita ilícita para os atacantes. Este tipo de ataque destaca a necessidade de vigilância contínua sobre a segurança de softwares embarcados.
Outro objetivo crítico do malware era transformar o dispositivo em um proxy, redirecionando o tráfego de internet de terceiros pela conexão do veículo. Isso permitia que a central multimídia infectada fosse incorporada a uma botnet – uma rede de equipamentos controlados remotamente – para atividades ilícitas. A Kaspersky associou esta campanha com alta confiança ao MoYu Group, um grupo já conhecido por estar ligado à botnet BadBox, responsável por ataques a outros dispositivos Android conectados à internet.
Impacto e Medidas de Proteção
Embora não haja evidências de que os invasores tenham obtido controle sobre sistemas críticos do veículo, como direção ou freios, o foco na central multimídia e sua conectividade com a internet representa um risco significativo. A DoFun foi alertada sobre a falha e prontamente informou que a corrigiu. Contudo, dado que a infecção explorava um sistema de atualização legítimo, não existe uma única ação do motorista que elimine o risco por completo. A Kaspersky não divulgou uma lista específica de veículos afetados, mas enfatizou que ter Android Auto ou uma central baseada em Android não implica, por si só, vulnerabilidade.
- Mantenha a Central Atualizada: A principal medida é garantir que o software da central esteja sempre com as últimas atualizações de segurança.
- Fontes Oficiais: Instale aplicativos e atualizações apenas de fontes oficiais e confiáveis.
- Suporte do Fabricante: Priorize centrais de fabricantes que demonstram compromisso com o suporte contínuo de software e segurança.
- Atenção a Comportamentos Anômalos: Procure assistência técnica se a central exibir anúncios inesperados, apresentar lentidão, comportamentos estranhos ou consumo incomum de dados.
A conectividade de centrais multimídia, inclusive via cartão SIM, oferece conveniência, mas também amplia a superfície de ataque para criminosos cibernéticos. A conscientização e a adoção de boas práticas de segurança são cruciais para proteger os motoristas e seus veículos contra essas ameaças emergentes.
Com informações de Canaltech.
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Perguntas frequentes
Como o malware conseguia infectar as centrais multimídia?
O malware explorava o aplicativo legítimo TWCore, responsável por coletar informações técnicas e atualizar o software das centrais, para instalar programas maliciosos sem a percepção do motorista.
O motorista precisava fazer algo para o carro ser infectado?
Não. A infecção ocorria de forma silenciosa e automática através do próprio mecanismo de atualização da central, sem que o motorista precisasse clicar em links ou instalar aplicativos suspeitos.
Quais são os riscos para os motoristas e seus veículos?
O malware podia coletar dados técnicos do aparelho, realizar fraudes publicitárias e transformar a central em um proxy para integrar botnets, embora não haja evidências de controle sobre sistemas críticos do veículo.
Com informações de Canaltech.
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