Uma empresa quer implantar espelhos espaciais, e isso pode ameaçar o céu noturno para muitos
A empresa Reflect Orbital propõe usar espelhos espaciais para refletir luz solar e prolongar o dia na Terra. No entanto, um estudo recente alerta que essa tecnologia pode comprometer severamente o céu noturno, com feixes que podem ser até 4
Publicado em 27 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

A ideia de uma empresa americana de prolongar o dia em diversos locais da Terra, refletindo luz solar do espaço, está gerando grande controvérsia e preocupação entre cientistas e ambientalistas. Um novo estudo sugere que os espelhos orbitais da Reflect Orbital podem não apenas iluminar áreas específicas, mas também comprometer a escuridão do céu noturno para uma vasta população, impactando a astronomia e ecossistemas. A empresa, que recebeu aprovação inicial para lançar seu satélite de teste, defende a tecnologia como uma solução para diversas necessidades, desde a recarga de painéis solares até o suporte a operações de emergência e militares.
O Projeto e Seus Impacatos
A Reflect Orbital planeja lançar ainda este ano o satélite de teste Eärendil-1, que contará com um espelho de 18 por 18 metros. O objetivo é validar a tecnologia para, futuramente, implantar uma constelação de até 50 mil satélites maiores, com espelhos de 54 por 54 metros, capazes de direcionar luz solar para a Terra sob demanda. Contudo, cálculos do astrônomo Miroslav Kocifaj e sua equipe, publicados no Astrophysical Journal Letters, revelam que um único satélite poderia aparecer 40 vezes mais brilhante que a Lua cheia em sua área de foco de cinco quilômetros de diâmetro, mantendo o brilho equivalente à Lua cheia a até 14 quilômetros de distância.
A previsão mais alarmante é que uma constelação de 400 satélites, como pretende a Reflect Orbital, geraria um brilho equivalente a 10 mil luas cheias na área-alvo, representando 2,4% da luminosidade do Sol. Este feixe combinado seria visível como um “brilho acima do horizonte” mesmo a 80 quilômetros de distância, alterando significativamente o céu noturno para muito além dos locais pretendidos. Astrônomos, como Samantha Lawler da Universidade de Regina, classificam a proposta como "incompatível com a astronomia", lamentando o tempo que precisa ser dedicado a esses estudos em vez da pesquisa astronômica.
Controvérsia e Regulamentação
A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) aprovou o lançamento do satélite de teste, gerando críticas de organizações ambientais e científicas que pedem a revisão da decisão. A DarkSky International e a American Bird Conservancy alertam para os riscos à aviação e à vida selvagem, além dos impactos na observação astronômica. Ben Nowack, CEO da Reflect Orbital, contesta as conclusões dos estudos, afirmando que a empresa incorporou feedback de especialistas e implementou medidas de proteção para mitigar a dispersão da luz, embora Kocifaj aponte a falta de dados e modelos detalhados para sustentar essas afirmações.
A ausência de um órgão regulador global para satélites como os propostos pela Reflect Orbital levanta questões complexas. Michelle Hanlon, especialista em direito espacial, destaca que, embora haja "benefícios reais" potenciais, a FCC possui autoridade limitada, focando apenas no uso de frequências de rádio. Isso significa que a empresa precisará de permissões em múltiplos níveis e jurisdições se os feixes de luz se dispersarem conforme previsto, adicionando camadas de complexidade legal e ambiental a um projeto já bastante controverso.
Com informações de MIT Tech.
Perguntas frequentes
O que a Reflect Orbital planeja fazer?
A Reflect Orbital pretende lançar satélites com espelhos que refletirão a luz solar de volta para a Terra, com o objetivo de prolongar as horas de luz do dia para diversas finalidades, como carregamento de painéis solares e respostas a emergências.
Qual é o principal impacto ambiental e astronômico da iniciativa?
O principal impacto é a alteração da escuridão do céu noturno, pois os feixes de luz dos satélites seriam visíveis em grandes áreas, prejudicando a astronomia e podendo afetar a vida selvagem e a aviação.
Existe alguma regulamentação global para projetos como este?
Atualmente, não existe uma entidade reguladora global para satélites desse tipo. A aprovação fica a cargo de órgãos reguladores nacionais, como a FCC nos EUA, que possui autoridade limitada sobre a operação do refletor em si.
Com informações de MIT Tech.
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