Por dentro da startup sigilosa que apresentou clones humanos sem cérebro
A startup R3 Bio, que operou em sigilo por anos, revelou planos para criar 'sacos de órgãos' de macacos, mas uma investigação aprofundada expôs a controvérsia por trás de seu fundador: a visão de "clones humanos sem cérebro" para doação de
Publicado em 08 de set. de 2026 · Fonte: MIT Tech

A startup R3 Bio, sediada em Richmond, Califórnia, operou em absoluto sigilo por anos antes de revelar publicamente, na semana passada, detalhes sobre seu trabalho. Inicialmente, a empresa afirmou ter captado recursos para desenvolver o que chamou de “sacos de órgãos” de macacos não sencientes, visando uma alternativa ética aos testes em animais. Com investidores de peso como o bilionário Tim Draper, o fundo Immortal Dragons e a LongGame Ventures, a R3 Bio apresentou essa proposta à Wired, buscando legitimar suas operações e objetivos científicos.
A Visão Controvertida por Trás do Sigilo
No entanto, uma investigação da MIT Technology Review desvendou uma faceta mais polêmica e perturbadora dos planos do fundador da R3 Bio, John Schloendorn. Ele teria defendido a criação de “clones sem cérebro” como uma solução para a obtenção de órgãos de reserva ou, futuramente, até mesmo para um transplante completo de cérebro em um corpo mais jovem, um procedimento ainda hipotético conhecido como transplante de corpo. Essa proposta chocante, que remete à ficção científica distópica, sugere a criação de versões bebês de indivíduos, com estrutura cerebral mínima apenas para a manutenção das funções vitais, destinadas a fornecer órgãos sob demanda.
Schloendorn, que apesar de ter doutorado é visto como um outsider na biotecnologia, fundamenta essa ideia em malformações congênitas onde crianças nascem com hemisférios corticais reduzidos, demonstrando que um corpo pode sobreviver sem grande parte do cérebro. A logística para tal empreendimento, contudo, é complexa e eticamente questionável. Sem a existência de úteros artificiais, ele propôs que a primeira geração desses clones dependeria de mulheres gestadoras pagas, um cenário que a própria R3 Bio nega, alegando que Schloendorn "nunca fez nenhuma declaração de que hipotéticos 'clones humanos não sencientes' [seriam] gestados por barrigas de aluguel".
Implicações Éticas e Reações da Comunidade Científica
Apesar das negações da empresa, a MIT Technology Review obteve evidências que apontam para um roteiro técnico da R3 Bio, datado de 2023, que detalha “clonagem para substituição corporal”, incluindo diagramas genéticos para a criação de animais sem cérebros completos. Esse trabalho inicial com macacos, embora apresentado como uma alternativa ética aos testes, serviria como base para futuras aplicações em humanos. A comunidade científica expressa profunda preocupação; o pesquisador Jose Cibelli, pioneiro na clonagem de embriões humanos para células-tronco, descreveu a ideia como "loucura", questionando a segurança e a ética de criar um "ser humano que não é um ser humano".
Os defensores dos "clones sem cérebro" argumentam que, por não serem sencientes, a remoção de órgãos seria eticamente aceitável, e que a “substituição” de partes do corpo jovens é o caminho mais provável para estender a vida. Anders Sandberg, especialista em ética de tecnologias futuras e transumanista, sugere que isso poderia até beneficiar pacientes de criogenia. Contudo, desde o nascimento da ovelha Dolly em 1996, a clonagem de mamíferos tem sido marcada por defeitos e problemas. Criar um clone humano, embora teoricamente possível, nunca foi realizado devido aos graves riscos e implicações éticas. A proposta da R3 Bio eleva o debate a um novo patamar, forçando uma reflexão sobre os limites da ciência e da busca pela imortalidade.
Com informações de MIT Tech.
Perguntas frequentes
O que é a proposta de "clones sem cérebro" da R3 Bio?
É a ideia de criar versões de um indivíduo com estrutura cerebral mínima, apenas para manter as funções vitais, servindo como uma fonte de órgãos de reposição compatíveis.
Qual a principal controvérsia ética em torno dessa tecnologia?
A principal preocupação ética reside na criação de um "ser humano que não é um ser humano" com o propósito de uso de órgãos, levantando questões sobre a dignidade da vida e os limites da manipulação genética.
A R3 Bio já conseguiu criar clones humanos ou animais maiores que roedores?
Não há evidências de que a R3 Bio tenha clonado humanos ou animais maiores que roedores. Os trabalhos focam, por enquanto, em testes e aprimoramentos técnicos para tal.
Com informações de MIT Tech.
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