Pesquisadores criam plástico que pode virar fertilizante depois do uso
Pesquisadores japoneses desenvolveram um plástico inovador que se converte em fertilizante após o uso, abordando o problema do lixo e auxiliando a agricultura. O material de base biológica se torna ureia e isossorbida com tratamento químico
Publicado em 04 de set. de 2026 · Fonte: Olhar Digital

Pesquisadores japoneses anunciaram o desenvolvimento de um novo tipo de plástico que, ao final de sua vida útil, pode ser convertido em fertilizante para plantas. Essa inovação, liderada pelo professor Daisuke Aoki da Universidade de Chiba em colaboração com as Universidades de Tohoku e de Tóquio, oferece uma abordagem promissora para combater o acúmulo de resíduos plásticos e, ao mesmo tempo, suprir a demanda agrícola.
O material inovador é produzido a partir da isossorbida, um composto de base biológica derivado da glicose. Sua particularidade reside na capacidade de se decompor em isossorbida e ureia quando tratado com amônia aquosa a 90°C por 24 horas. O mais notável é que ambos os componentes resultantes podem ser utilizados diretamente como fertilizante, sem a necessidade de processos de separação ou purificação adicionais, simplificando o ciclo de reutilização.
Plástico Flexível e Ativo Ambientalmente
Diferentemente de plásticos biodegradáveis que se deterioram em condições normais, este novo material funciona como um plástico convencional durante todo o seu ciclo de uso, mantendo sua integridade sem degradação prematura. A transformação em fertilizante é um processo intencional e controlado, ativado apenas no fim de sua vida útil. Um avanço significativo foi a criação de um plastificante, o ISB-TEG, que tornou o material mais de dez vezes mais flexível, expandindo suas possíveis aplicações de itens rígidos para produtos como filmes agrícolas, vasos para mudas, sacolas e embalagens, com o benefício adicional de que o plastificante também se converte em componentes de fertilizante.
Os pesquisadores enfatizam que, enquanto estratégias como redução e reciclagem são cruciais, esta inovação busca uma contribuição ambiental “ativa”. O objetivo é não apenas resolver o problema do lixo plástico, mas também abordar a depleção de recursos e apoiar a agricultura sustentável, transformando o que antes seria resíduo em um recurso valioso.
Resultados Promissores na Agricultura
Para comprovar a eficácia do fertilizante derivado do plástico, os cientistas realizaram testes de cultivo. Eles utilizaram o composto resultante, sem qualquer purificação, para cultivar a Arabidopsis thaliana, uma planta modelo em pesquisas científicas, e a komatsuna, uma hortaliça comestível comum no Japão. Os resultados foram equivalentes aos obtidos com fertilizantes comerciais de ureia, demonstrando o potencial agrícola do novo material.
- Base Biológica: Produzido a partir de isossorbida, um derivado da glicose.
- Flexibilidade Aprimorada: Novo plastificante (ISB-TEG) o torna mais de dez vezes mais flexível.
- Conversão Controlada: Transforma-se em fertilizante (isossorbida e ureia) com tratamento químico específico.
- Uso Direto: Componentes do fertilizante são utilizáveis sem purificação.
- Eficácia Comprovada: Testes de cultivo mostraram resultados equivalentes a fertilizantes comerciais.
Mizuhiko Nishida, da Universidade de Tohoku, expressou otimismo, afirmando que essa pesquisa pode inaugurar uma nova era onde os plásticos sejam vistos como um recurso, e não como lixo. O professor Aoki complementou, sugerindo uma mudança de paradigma fundamental, onde os plásticos se tornam um recurso valioso para a produção de alimentos, com o potencial de revolucionar a reciclagem de resíduos plásticos agrícolas e domésticos.
Com informações de Olhar Digital.
Perguntas frequentes
Como o novo plástico se transforma em fertilizante?
O plástico, feito de isossorbida, se decompõe em isossorbida e ureia quando tratado com amônia aquosa a 90°C por 24 horas, ambos componentes utilizáveis como fertilizante.
Este plástico é biodegradável em condições normais?
Não, o material não é biodegradável em condições normais, funcionando como um plástico convencional. A transformação em fertilizante é um processo químico intencional ativado no fim da vida útil.
Quais são os benefícios dessa inovação para o meio ambiente e a agricultura?
A inovação combate o lixo plástico transformando-o em um recurso valioso para a agricultura, reduzindo resíduos e apoiando a produção de alimentos, com eficácia comprovada em testes de cultivo.
Com informações de Olhar Digital.
Este conteúdo pode conter links afiliados. Ao comprar por eles, o TechHoje pode receber comissão sem custo adicional para você.