Notícia

Os EUA gastaram bilhões em vigilância de fronteira. Por que não conseguem detectar e deter as pessoas antes que elas morram?

Um investimento bilionário em vigilância de fronteira nos EUA, com torres equipadas com IA, está falhando em evitar mortes de migrantes, revela uma investigação. Centenas de óbitos ocorreram em áreas supostamente vigiadas, levantando sérias

Publicado em 25 de set. de 2026 · Fonte: MIT Tech

Os EUA gastaram bilhões em vigilância de fronteira. Por que não conseguem detectar e deter as pessoas antes que elas morram?

Um investimento bilionário em tecnologia de vigilância na fronteira dos Estados Unidos, incluindo torres avançadas equipadas com Inteligência Artificial, está falhando em sua promessa mais crucial: evitar mortes de pessoas que tentam cruzar o território. Uma investigação aprofundada da MIT Technology Review revelou que, apesar de anos de desenvolvimento e bilhões de dólares gastos no que é conhecido como "muro virtual", centenas de mortes ocorreram em áreas supostamente vigiadas por esses sistemas. O caso de José Morales Bernal, que morreu a apenas 110 metros de uma torre de vigilância de última geração em 2024, exemplifica essa falha alarmante.

Morales, que completaria 32 anos no dia seguinte à sua travessia, foi encontrado sem vida por trabalhadores de um aterro sanitário, e não pela Patrulha de Fronteira, mesmo estando sob o alcance de três torres da empresa Anduril, projetadas para detectar e rastrear automaticamente indivíduos. Essas torres, que transmitem vídeo ao vivo e alertam agentes próximos, deveriam ter garantido sua detenção e, se necessário, atendimento médico. A autópsia indicou que a causa da morte foi "exposição ambiental", levantando sérias questões sobre a eficácia de um sistema que, segundo a própria Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), deveria salvar vidas e proporcionar "consciência situacional" aos agentes.

Um Muro Virtual com Falhas Reais

A investigação analisou dados de quase 4 mil locais de morte e informações sobre cerca de 600 torres, revelando uma crise humanitária que se desenrola sob os olhos das câmeras governamentais. Entre 2015 e o início de 2026, mais de 1.050 pessoas morreram dentro do alcance de torres de vigilância. Notavelmente, essas mortes não se limitam a "pontos cegos" ou tecnologias antigas; a maioria ocorreu em locais que deveriam ser visíveis, e mais de 110 pessoas morreram desde 2021 dentro do alcance das modernas torres da Anduril, consideradas os sistemas mais avançados implementados pela CBP.

  • Alcance Duvidoso: Quase dois terços das torres analisadas registraram mortes em seu raio de ação.
  • Visibilidade Limitada: Algumas torres possuem visibilidade de apenas 10% de sua área de cobertura anunciada devido ao terreno.
  • Mortes Recentes: Mais de 110 óbitos ocorreram perto de torres Anduril desde 2021, apesar de sua tecnologia avançada.

O caso de Morales não foi isolado. Apenas naquele trecho do deserto no Novo México, outras 18 pessoas morreram em 2024 dentro do alcance das mesmas três torres da Anduril, sendo que cinco estavam visíveis da torre mais próxima ao corpo de Morales. Outros incidentes trágicos incluem um homem que morreu de problemas respiratórios após seu irmão pedir ajuda a um helicóptero, e uma mulher cujo corpo ficou semanas sem ser notado, mesmo sob a vigilância de outra torre Anduril, em um local de clara visibilidade.

Tecnologia Caríssima, Resultados Ineficazes

A Anduril, desenvolvedora das torres, afirmou que a operação dos sistemas é responsabilidade da CBP após a entrega, sugerindo que os limites de vigilância podem ser definidos pela agência por questões de privacidade. No entanto, o problema central permanece: seja por falha da tecnologia em detectar, ou dos agentes em responder, o sistema não está cumprindo seu objetivo humanitário declarado. Entrevistas com mais de 45 indivíduos, incluindo ex-assessores da Casa Branca, agentes de fronteira e funcionários de empresas de tecnologia, confirmam que ambos os tipos de falha são comuns.

Apesar desses resultados alarmantes, o "muro virtual" continua a receber apoio político e um aumento significativo nos gastos federais. Em 2023, o governo estimou que os planos para as 803 torres existentes custariam US$ 6,2 bilhões ao longo de sua vida útil. Com novos financiamentos previstos para 2025, a CBP planeja gastar mais US$ 1 bilhão para instalar outras 1.497 torres até 2034. A investigação questiona a ausência de uma avaliação eficaz por parte da CBP sobre o desempenho dessas torres e o número de mortes em suas áreas de cobertura, evidenciando que simplesmente aplicar mais tecnologia não resolve um problema complexo com raízes profundas.

Com informações de MIT Tech.

Perguntas frequentes

O que é o 'muro virtual' na fronteira dos EUA?

É um sistema de vigilância tecnológica, que inclui torres com câmeras e Inteligência Artificial, drones, sensores e outros equipamentos, construído ao longo da fronteira sul dos EUA para detectar e rastrear pessoas.

Quantas pessoas morreram perto das torres de vigilância?

Uma investigação revelou que mais de 1.050 pessoas morreram entre 2015 e o início de 2026 dentro do alcance das torres de vigilância, incluindo as mais modernas equipadas com IA.

Qual é o custo desse sistema de vigilância?

O governo dos EUA estimou que os planos para as torres existentes custariam US$ 6,2 bilhões ao longo de sua vida útil, com planos de gastar mais US$ 1 bilhão em novas torres até 2034.

Com informações de MIT Tech.

Este conteúdo pode conter links afiliados. Ao comprar por eles, o TechHoje pode receber comissão sem custo adicional para você.