Insônia, apneia e sono ruim: por que os brasileiros estão dormindo cada vez pior
O Brasil enfrenta uma crise de sono, com um em cada cinco adultos dormindo menos de seis horas por noite e quase um terço reportando insônia. Novos tratamentos farmacológicos e a tecnologia vestível surgem como aliados para combater essa qu
Publicado em 18 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

A qualidade do sono dos brasileiros tem se deteriorado a ponto de se tornar uma preocupação de saúde pública. Dados recentes do Vigitel, do Ministério da Saúde, revelam que cerca de um em cada cinco adultos dorme menos de seis horas por noite. Além disso, quase um terço da população adulta relata sintomas de insônia, um percentual que dobra a média global de 16%, conforme alerta o psiquiatra Almir Ribeiro Tavares Júnior, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS). A situação se agrava com a prevalência da apneia obstrutiva do sono, que afeta 37% dos paulistanos, indicando que não só dormimos pouco, mas também sem a qualidade necessária para a recuperação do organismo.
Causas Complexas e Impactos Cerebrais
Embora a exposição excessiva a telas, que inibe a produção de melatonina, seja um fator conhecido, a origem dos distúrbios do sono é multifacetada. O médico John Fontenele Araújo, professor da UFDPar e UFRN, destaca a importância da regularidade alimentar na regulação do ciclo de sono e vigília. Estudos com indivíduos cegos mostraram que uma rotina alimentar consistente pode manter um ritmo circadiano saudável mesmo sem a percepção visual da luz. A pressão por produtividade e as rotinas irregulares também contribuem significativamente para o problema. A psicóloga Tamiris Resende, doutora em saúde pública pela UFMG, em sua tese, demonstrou que tanto a pouca (menos de seis horas) quanto a excessiva (mais de oito horas) duração do sono estão ligadas a um desempenho cognitivo inferior, afetando memória, atenção e tomada de decisões.
A explicação para os prejuízos cognitivos reside no sistema glinfático, um mecanismo cerebral de "limpeza" que remove resíduos metabólicos. Esse processo funciona de forma otimizada durante o sono, e sua interrupção leva ao acúmulo de toxinas, prejudicando a comunicação neural. Um estudo do MIT publicado na Nature Neuroscience corrobora essa tese, indicando que a "névoa cerebral" após uma noite mal dormida ocorre devido à falha nesse mecanismo de depuração.
Inovações no Tratamento e Tecnologia Aliada
O campo da medicina do sono tem visto avanços importantes. Para a insônia, o lemborexante, aprovado pela Anvisa, oferece uma nova abordagem ao bloquear a orexina, responsável pela vigília, com menor potencial de dependência em comparação aos hipnóticos tradicionais. A tirzepatida, um princípio ativo de canetas emagrecedoras, tem sido utilizada como coadjuvante no tratamento da apneia obstrutiva do sono, beneficiando pacientes onde a obesidade é um fator de risco. Além disso, o fesolinetant foi aprovado para tratar ondas de calor e suores noturnos na menopausa, melhorando indiretamente o sono feminino.
Apesar da percepção de que a tecnologia é vilã, dispositivos vestíveis como smartwatches e anéis inteligentes emergem como aliados. Embora não substituam o diagnóstico clínico, eles permitem o monitoramento de tendências e padrões de sono. John Fontenele Araújo recomenda seu uso para observar a regularidade da rotina. A professora Priscila Oliveira, por exemplo, utiliza seu smartwatch para se policiar quanto ao horário de dormir. Além do benefício individual, esses dispositivos contribuem para grandes bases de dados, como o UK Biobank, que analisou dados de sono de 60 mil participantes. Uma pesquisa publicada na revista Sleep, a partir desses dados, associou horários fixos de sono à redução de até 48% no risco de mortalidade por todas as causas, reforçando a importância do sono como prioridade de saúde pública. Enquanto o canabidiol ainda carece de comprovação científica robusta para insônia, especialistas enfatizam que o tratamento vai além de medicamentos, incluindo psicoterapia e ajustes na rotina, para abordar a complexidade desse desafio contemporâneo.
Com informações de MIT Tech.
Perguntas frequentes
Quantos brasileiros dormem mal?
Cerca de um em cada cinco adultos brasileiros dorme menos de seis horas por noite, e quase um terço relata sintomas de insônia, o dobro da prevalência global.
Quais são as principais causas da má qualidade do sono?
Além do excesso de telas, que suprime a melatonina, fatores como horários irregulares de alimentação e a pressão por produtividade são causas importantes, afetando o ritmo circadiano.
A tecnologia pode ajudar a melhorar o sono?
Sim, dispositivos vestíveis como smartwatches e anéis inteligentes, embora não diagnostiquem, são úteis para monitorar padrões de sono, ajudando a identificar tendências e promover uma rotina mais regular.
Com informações de MIT Tech.
Este conteúdo pode conter links afiliados. Ao comprar por eles, o TechHoje pode receber comissão sem custo adicional para você.