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Demência ou “só” depressão? A importância do diagnóstico preciso em idosos

A distinção entre depressão e os primeiros sinais de demência em idosos é um desafio crucial na geriatria, com sintomas sobrepostos como apatia e lapsos de memória. Um diagnóstico preciso é vital, pois a depressão, diferentemente da demênci

Publicado em 08 de set. de 2026 · Fonte: MIT Tech

Demência ou “só” depressão? A importância do diagnóstico preciso em idosos

A diferenciação entre depressão e os primeiros sinais de demência em idosos representa um dos maiores desafios na geriatria atual, impactando diretamente a qualidade de vida de milhões de pessoas. Sintomas como apatia, lentidão e lapsos de memória, que frequentemente levam familiares e até profissionais de saúde a suspeitar de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, podem, na verdade, ser manifestações de um quadro depressivo. O tratamento adequado da depressão pode aliviar o sofrimento do paciente e de seus cuidadores, além de prevenir complicações mais graves, destacando a urgência de um diagnóstico preciso.

O Dilema do Diagnóstico Precoce

A complexidade reside na sobreposição de sintomas e na deficiência das ferramentas diagnósticas existentes. Jefferson Folquitto, psiquiatra do IPq-HCFMUSP, enfatiza que a anedonia — a perda de prazer — é um indicador mais confiável de depressão do que a falha de memória isolada, pois a atenção diminuída pela depressão pode, por si só, prejudicar a capacidade de recordar. Da mesma forma, David Steffens, professor de psiquiatria da UConn Health (EUA), observa que a depressão que surge após os 60 anos, conhecida como depressão tardia, muitas vezes se manifesta mais como apatia do que tristeza, dificultando seu reconhecimento por familiares.

Michel Haddad, psiquiatra do HSPE, menciona que o termo antigo “pseudodemência” está em desuso por sugerir uma reversão total com o tratamento da depressão, o que nem sempre ocorre. Ele explica que a depressão tardia pode ser um sintoma inicial de uma síndrome neurodegenerativa subjacente. A distinção clínica crucial, antes de exames avançados, envolve a observação se uma 'pista' ajuda o paciente a recordar, indicando um déficit de evocação típico da depressão, em contraste com a dificuldade de codificação (armazenamento) da demência. Steffens corrobora com a metáfora do “iceberg” onde, na depressão, a memória pode ser resgatada com esforço, ao contrário da demência.

Implicações e Caminhos para a Ação

A hipótese da depressão vascular, que se aproxima de 30 anos em 2026, sugere uma base biológica para a confusão. Idosos com depressão tardia podem apresentar lesões vasculares cerebrais silenciosas que afetam regiões ligadas à emoção, aumentando o risco de declínio cognitivo e até perda de volume no hipocampo. Além disso, a psiquiatra geriátrica Salma Ribeiz, do PROTER/IPq-HCFMUSP, destaca que, no Brasil, as queixas somáticas (dores físicas inespecíficas) são frequentes em idosos deprimidos, levando a um “rodeio” por diversos médicos antes do diagnóstico correto.

  • Subestimação: A depressão é frequentemente subestimada diante da hipótese de demência, uma condição mais temida.
  • Ferramentas Imprecisas: As escalas de depressão perdem eficácia em pacientes com comprometimento cognitivo, que mais precisam de diagnóstico.
  • Sintomas Atípicos: A depressão tardia manifesta-se com mais apatia e queixas físicas do que tristeza explícita.
  • Coexistência: Depressão e demência inicial podem coexistir, com a demência se tornando dominante.
  • Causas Reversíveis: Condições como infecções, hipotireoidismo ou deficiência de B12 podem mimetizar a demência e devem ser descartadas.

O maior risco de um diagnóstico equivocado é a perpetuação do sofrimento. Folquitto adverte que diagnosticar demência onde há depressão deixa uma condição tratável sem tratamento, resultando em maior prejuízo funcional e institucionalização. Para enfrentar essa problemática, os especialistas convergem na importância de investigar o paciente de forma holística e, na dúvida, iniciar o tratamento da depressão. “Tem sintomas depressivos? Vamos tratar a depressão... uma vez que melhorou, eu revejo a parte cognitiva”, resume Folquitto, ressaltando que se o prejuízo cognitivo persiste após a melhora do humor, a investigação para demência deve ser aprofundada.

Com informações de MIT Tech.

Perguntas frequentes

Por que é tão difícil diferenciar depressão de demência em idosos?

A dificuldade surge porque ambas as condições podem apresentar sintomas semelhantes, como apatia, lentidão e problemas de memória, além de que as ferramentas de rastreamento de depressão perdem precisão em pacientes com algum comprometimento cognitivo.

Quais são as principais diferenças que podem ajudar no diagnóstico?

Na depressão, a perda de prazer (anedonia) é um forte indicador, e a dificuldade de memória pode melhorar com 'pistas'. Na demência, há maior dificuldade de codificação da memória e os sintomas são mais progressivos e persistentes, mesmo com o tratamento do humor.

O que acontece se a depressão for diagnosticada como demência?

O maior problema é que a pessoa permanecerá deprimida e em sofrimento, sem o tratamento adequado para uma condição que é tratável, podendo levar a um maior prejuízo funcional e hospitalizações desnecessárias.

Com informações de MIT Tech.

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