Como funciona o software das urnas eletrônicas?
Entenda como o software das urnas eletrônicas funciona, desde o desenvolvimento pelo TSE até a apuração dos votos, e os mecanismos de segurança e fiscalização que garantem a integridade do processo eleitoral.
Publicado em 28 de set. de 2026 · Fonte: Canaltech

O funcionamento das urnas eletrônicas vai muito além do simples toque na tela, sendo orquestrado por um complexo software desenvolvido e auditado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse sistema é a espinha dorsal de todo o processo eleitoral, desde a preparação do equipamento até a totalização dos votos, garantindo a integridade e o sigilo de cada escolha do eleitor.
O desenvolvimento e a fiscalização desse software são etapas cruciais que antecedem as eleições. Anualmente, o TSE disponibiliza o código-fonte dos sistemas eleitorais para inspeção de partidos políticos, órgãos públicos e universidades, um processo conhecido como Ciclo de Transparência Democrática. Para as Eleições de 2026, por exemplo, os códigos estiveram abertos para análise desde outubro de 2025. Após a fase de inspeção, o código é compilado, transformado em programas executáveis e, em setembro de 2026, o TSE concluiu a compilação, assinatura digital e lacração dos sistemas que seriam utilizados.
A Arquitetura do Software e a Segurança da Urna
As urnas eletrônicas operam com o Uenux, uma distribuição Linux personalizada pela equipe técnica do TSE. Este sistema operacional gerencia os recursos do equipamento e executa os aplicativos eleitorais. É fundamental ressaltar que a urna não possui conectividade com redes externas, funcionando de forma isolada para evitar vulnerabilidades de comunicação durante a votação. A transmissão dos resultados ocorre posteriormente, por meio de procedimentos específicos da Justiça Eleitoral.
Quando o eleitor registra seu voto, o software o identifica e exibe as informações do candidato. Após a confirmação, o voto é armazenado no Registro Digital do Voto (RDV), um arquivo que garante o sigilo ao distribuir os registros em posições aleatórias, impossibilitando a associação do voto à sequência de eleitores. Cada atualização do RDV recebe uma assinatura digital, mecanismo criptográfico que assegura a autenticidade e a integridade do arquivo, permitindo verificar que não houve alterações após o registro.
Verificação e Totalização dos Resultados
Ao término da votação, a urna realiza a apuração eletrônica, calculando os votos para candidatos, legendas, brancos e nulos a partir do RDV. O resultado é consolidado no Boletim de Urna (BU), um documento assinado digitalmente e com registro de horário, que detalha os dados da seção eleitoral. Cópias impressas do BU são fixadas nas seções, e arquivos digitais seguem para a totalização, onde os resultados de todas as seções são reunidos para formar o resultado final da eleição, sem que a urna realize a soma nacional ou transmita dados diretamente pela internet.
A segurança dos sistemas é reforçada por mecanismos como o hash, um resumo digital que permite identificar qualquer alteração no conteúdo de um arquivo. Em 2026, o TSE publicou os hashes dos sistemas, possibilitando a comparação das versões instaladas nas urnas com as oficiais lacradas. Além da inspeção do código-fonte, o Teste Público de Segurança (TPS) envolve especialistas e pesquisadores na busca por vulnerabilidades, e auditorias são realizadas em diversas etapas, como a preparação das urnas e após a geração dos resultados, com a participação de instituições como o Senado Federal e a Procuradoria-Geral da República. Essa cadeia robusta de verificações garante a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro.
Com informações de Canaltech.
Perguntas frequentes
Quem desenvolve o software das urnas eletrônicas?
O software é desenvolvido pela equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e passa por um rigoroso processo de inspeção e auditoria antes de ser utilizado.
As urnas eletrônicas são conectadas à internet?
Não, as urnas eletrônicas não possuem mecanismos para conexão com redes externas durante a votação, operando de forma isolada para garantir a segurança dos dados.
Como é garantido o sigilo do voto na urna eletrônica?
O sigilo é garantido pelo Registro Digital do Voto (RDV), que armazena os votos de forma distribuída, impossibilitando a associação de um voto específico a um eleitor.
Com informações de Canaltech.
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