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Cientistas acabam de criar clones fêmeas de camundongos machos

Cientistas japoneses criaram, pela primeira vez, camundongos fêmeas a partir de embriões machos, usando uma técnica baseada em CRISPR para remover o cromossomo Y. A inovação promete redefinir a reprodução e oferece um futuro promissor para

Publicado em 17 de ago. de 2026 · Fonte: MIT Tech

Cientistas acabam de criar clones fêmeas de camundongos machos

Cientistas japoneses anunciaram um feito inédito na biotecnologia: a criação deliberada de camundongos fêmeas a partir de embriões machos. Utilizando uma técnica baseada na ferramenta de edição genética CRISPR, pesquisadores removeram o cromossomo Y de células masculinas, resultando no nascimento de clones fêmeas. Esta inovação pode redefinir o entendimento tradicional da reprodução e oferece novas perspectivas para a conservação de espécies ameaçadas, conforme destacam os envolvidos.

A pesquisa, coliderada por Takashi Ishiuchi, biólogo reprodutivo da Universidade de Yamanashi, e Shogo Matoba, do Centro de Pesquisa de Biorrecursos Riken, desafia o conceito de que a reprodução exige a presença de ambos os sexos. A técnica, batizada de Y-CUT, tem como alvo uma região específica do cromossomo Y, garantindo sua eliminação durante a divisão celular. Embriões XY tratados com Y-CUT, quando transferidos para mães de aluguel, desenvolveram-se em filhotes fêmeas. Embora essas fêmeas possuam cromossomos XO (um X em vez dos dois habituais), elas se mostraram saudáveis e férteis em camundongos, abrindo um leque de possibilidades para a engenharia genética.

Um Salto para a Conservação

A principal aplicação vislumbrada para a técnica Y-CUT é na conservação de espécies ameaçadas de extinção, especialmente naquelas onde restam poucos indivíduos, ou até mesmo apenas machos. Em cenários de clonagem tradicional, um animal macho só geraria descendentes machos, o que não resolveria a carência de fêmeas para a reprodução. Com a Y-CUT, é possível criar clones fêmeas a partir de machos, mesmo de amostras criopreservadas em “zoológicos congelados”, permitindo a reprodução e a revitalização populacional.

Ben Novak, cientista-chefe da organização Revive & Restore, vê grande potencial para a conservação, mencionando que a diversidade de ferramentas biotecnológicas é crucial para lidar com as variadas situações de espécies em risco. A técnica, contudo, tem suas limitações: ainda requer óvulos de fêmeas da mesma espécie ou de uma espécie intimamente relacionada e pode não ser eficaz para todas as espécies, já que fêmeas XO são férteis em camundongos, mas podem ser inférteis em outros mamíferos.

Futuras Expansões e Desafios

Os pesquisadores já exploram complementos para a técnica Y-CUT. Experimentos anteriores, como os de Katsuhiko Hayashi, que conseguiram transformar células de camundongos machos em óvulos, poderiam fornecer o material necessário para a Y-CUT, eliminando a dependência de óvulos de fêmeas. Além disso, Ishiuchi trabalha na inserção de um segundo cromossomo X em células para garantir a fertilidade das fêmeas resultantes.

Essa tecnologia também transcende a conservação, podendo ser útil na criação de animais geneticamente modificados, otimizando tempo e recursos em pesquisas. A habilidade de gerar clones fêmeas a partir de machos, ou vice-versa com outras abordagens, como a inserção de cromossomos em embriões, oferece ferramentas mais robustas e versáteis para a biotecnologia. A comunidade científica, incluindo Monika Ward, bióloga reprodutiva da Universidade do Havaí, reconhece o caráter revolucionário da descoberta, que tem o potencial de modificar radicalmente a compreensão da reprodução e a biologia dos cromossomos sexuais.

Com informações de MIT Tech.

Perguntas frequentes

Como os cientistas conseguiram criar fêmeas a partir de machos?

Utilizando a técnica Y-CUT, baseada na ferramenta de edição genética CRISPR, os pesquisadores removeram o cromossomo Y de células masculinas de camundongos, resultando no desenvolvimento de fêmeas.

Qual é a principal aplicação dessa nova técnica?

A principal aplicação é na conservação de espécies ameaçadas de extinção, permitindo a criação de fêmeas a partir de machos quando a população feminina é escassa ou inexistente.

A técnica tem alguma limitação?

Sim, a técnica ainda requer óvulos de fêmeas da mesma espécie ou de uma espécie intimamente relacionada e pode não ser eficaz para todos os mamíferos, pois a fertilidade das fêmeas XO varia entre as espécies.

Com informações de MIT Tech.

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